domingo, 26 de abril de 2015

Encantamento à primeira vista


Creio não ter amado alguém à primeira vista, pelo menos não me lembro de ter "descoberto" um grande amor na primeira vez em que o vi. Amar é uma coisa muito complexa, penso que  deve haver um certo crescimento antes de um sentimento ser considerado "amor de verdade". Ao invés de "amor à primeira vista" acredito que exista aquilo a que chamamos de "encantamento à primeira vista":   um olha para o outro e se encanta, se derrete, sente calafrios. A partir daí, a vontade é aprofundar-se no conhecimento do outro.
 Já deve ter acontecido a você de pegar um livro e se encantar de tal forma, que não conseguiu desgrudar dele enquanto não finalizou a leitura. Clareza e objetividade são requisitos primordiais na hora de construir sua Introdução. Vale atiçar a curiosidade do leitor, só não vale "entregar todo o jogo de primeira". Nessa etapa do texto, você deve dar pistas daquilo que irá desenvolver posteriormente. Assim como nos relacionamentos em que a construção e consolidação do sentimento se dá em etapas, também os mistérios do texto precisam ser desvendados em partes, em parágrafos específicos.

 Atente para as dicas de como se construir uma introdução:

  1. Trajetória histórica: apresente analogias entre o passado e o presente, caso haja um fato do passado que seja comparável a algum atual;

  2. Conceituar ou definir uma ideia ou situação: em alguns temas de dissertação surgem palavras-chave de extrema importância para a argumentação. Nesses casos, pode-se iniciar a redação com a definição dessa palavra, com o significado dela, para posteriormente, no desenvolvimento, trabalhar com exemplos de comprovação.

  3. Contestar uma ideia ou citação, contradizendo em partes: quando o tema apresenta uma ideia com a qual não se concorda inteiramente, pode-se trabalhar com este método: concordar com o tema, em partes, ou seja, argumentar que a ideia do tema é verdadeira, mas que existem controvérsias; discutir que o assunto do tema é polêmico, que há elementos que o comprovem e elementos que discordem dele, igualmente.

4. Refutar o tema, contradizendo-o totalmente: refutar significa rebater os argumentos; contestar as asserções; não concordar com algo; reprovar; ser contrário a algo; contrariar com provas; desmentir; negar. Portanto refutar o tema é escrever, na introdução, o contrário do que foi apresentado pelo tema. Deve-se tomar muito cuidado, pois não é só escrever o contrário, mas mostrar que se é contra o que está escrito. O ideal, nesse caso, é iniciar a introdução com: Ao contrário do que se acredita…

  5. Resumir o que será apresentado no desenvolvimento: uma das maneiras mais fáceis de se elaborar a introdução é apresentar o resumo do que se vai discutir no desenvolvimento. Nesse caso, é necessário planejar cuidadosamente a redação toda, antes de começá-la, pois, na introdução, serão apresentados os tópicos a serem discutidos no desenvolvimento. Deve-se tomar o cuidado para não se apresentarem muitos tópicos, senão a dissertação será somente expositiva e não argumentativa.

 Quanto aos encantamentos à primeira-vista...

 Ah! São válidos!

É certo, porém, que há de se ter vários deles até um dia encontrar UM, cujo encantamento passe a ser algo raro e muito especial: o amor. Raro não, perdoem, o correto é "ÚNICO".

terça-feira, 21 de abril de 2015

Falhar na "HORA H"


Esse é o grande temor da maioria dos jovens e uma situação que provavelmente todos já passaram em algum momento: “FALHAR NA HORA H”: dar um branco, ficar sem ideia diante de uma página em branco, romper com o silêncio ameaçador que angustia e bloqueia a criatividade e músculos. Os números que mais chamaram a atenção do Enem em 2014 não foram aqueles tão temidos da prova de matemática, foram os da redação. Dos 6,2 milhões de estudantes que prestaram o exame, 529 mil a zeraram.

O que fazer nesses casos? Entregar a folha em branco e estudar mais um ano até a próxima oportunidade? Escrever o que vier à cabeça a fim de livrar-se dessa incômoda tarefa? Absolutamente não! Muita calma nessa hora!!!!

1.      Anote todas as ideias que passam pela sua cabeça em relação ao assunto/tema sobre o qual precisa dissertar (brainstorming). Não permita que a mente divague! Leia o enunciado e os textos de apoio quantas vezes forem necessárias! Nunca chegue à página em branco sem saber o que vai escrever! Faça 1.001 esquemas, planos, detalhes, listagens, recorde-se das leituras e pesquisas, para que na “HORA H",  você já tenha claro o que irá escrever. Achar que o texto sai do nada é o que causa "o nada"!

2.      Deixe o perfeccionismo de lado! Uma das razões mais comuns que podem causar o “FALHAR NA HORA H” é psicológica: o medo de começar a escrever é o medo de que o resultado não seja bom; também o fato de esse resultado ser submetido à avaliação de outrem, podem gerar bloqueios. Confie na sua criatividade! A sugestão é fazer esboços e esquemas para montar um esqueleto sólido o suficiente para não dar margem ao bloqueio - afinal, já se sabe o que será escrito.

3.      Exercitar é fundamental! É irreal, ou pelo menos raro, esperar que um texto surja pronto na cabeça de um momento para o outro, como uma inspiração divina. Faísca, inspiração, insight, só surgem com esforço e dedicação, que precedem em muito tempo o ato de escrever. Pratique a leitura! Pratique também a escrita! Sempre haverá o que se escrever sobre qualquer assunto! Afaste o “FALHAR NA HORA H”!

4.      Pronto! Você já saiu da origem! Mãos à obra e boa sorte porque FALHAR NA HORA H é para os fracos!!!!

Lucila Gomes

terça-feira, 14 de abril de 2015

Como chegar "na mina"

Um dos maiores desafios para o jovem que quer seduzir, impressionar, fazer o(a) gato(a) "entrar na sua" é sem dúvidas, iniciar a conversa. Chegar "na mina" pode parecer aterrorizante para uns, desafiante para outros e compensador para aqueles que descobriram e guardam a 7 chaves os segredos da conquista. Vocês devem ter amigos(as) que se enquadram direitinho em cada uma dessas modalidades. "Chegar na mina" também é um desafio para aqueles que precisam produzir textos, qualquer que seja o gênero. Iniciar a conversa, chamar a atenção, tentar impressionar no primeiro momento, parece até mais complicado do que "chegar" em alguém.
Segue algumas dicas para ajuda-lo(a):
 
1. Evite frases prontas! Seu alvo, "a mina" poderá ter ouvido essa "cantada" inúmeras vezes.  Seja original! No seu texto, sua personalidade deve ser refletida;
 
2. Contexto é tudo! Assim como na abordagem com um(a) garoto(a), você antes precisa saber se ele(a) está acompanhado(a), se é comprometido(a),  na produção de um texto você precisa conhecer o assunto sobre o qual irá dissertar. Você não pode falar de algo que não conhece.
 
3. Prepare o terreno antes de se aproximar! Na hora da conquista "os gestos falam mais alto que mil palavras", não é mesmo? Na produção textual suas palavras devem expressar claramente seus objetivos, suas intenções. Diferentemente do contato pessoal, onde você gesticula, usa o tom de voz mais adequado, repete o que não ficar bem entendido, seu texto precisa ser claro: você não terá a seu favor nenhuma dessas possibilidades. O que fazer? Escreva! Rescreva quantas vezes forem necessárias! Rascunhe! Pense um pouco: já percebeu que quando você precisa escrever um texto e em seguida faz-se necessário passar a limpo, normalmente, você lê, analisa, muda um ponto aqui, verifica que a ideia não está tão bem colocada, faz mudanças? O que você está fazendo com isso, é uma correção. Rascunhe! Rascunhe sempre! Assim terá mais chances de "chegar na mina".
 
4. Não se apresente! “- Oi, eu me chamo Fulano”. Pelo amor de Deus, jamais faça isso! Você não precisa falar o seu nome nem nada sobre você. Se ele(a) tiver interesse, irá perguntar. Perceba a diferença entre um homem que se apresenta e um homem de atitude que inicia a conversa de maneira interessante:
ABORDAGEM ERRADA
Cara comum: Oi, você é linda…
Mulher: Obrigada.
Cara comum: Como você se chama?
Mulher: Fulana.
Cara comum: Prazer, eu me chamo Fulano. Você faz o que da vida?
Mulher: Desculpa, mas eu tenho que ir… Estou com pressa.

                                                            ABORDAGEM CERTA
Homem de atitude: (ligeiramente desinteressado): Oi, você é gaúcha?
Mulher: Não. Por quê?
Homem de atitude: Porque eu encontrei uma garota muito parecida com você quando estive no Rio Grande do Sul durante as minhas últimas férias. E ela usava os mesmos sapatos que você. O sul é lindo, né? O que você acha de lá?
Mulher: Coincidência… Na verdade eu não conheço o Sul, mas deve ser bem bonito mesmo.
Homem de atitude: Eu adoro lá, blah blah blah.
O seu texto deve ser escrito em terceira pessoa, isso é o que chamamos de impessoalidade. Esqueça o "eu", a primeira pessoa, quando você tiver que escrever. Pois bem, que tal analisarmos alguns exemplos logo a seguir, hein?
A meu ver, precisamos ser mais cautelosos, pois o perigo anda rondando aí.
Eu acho que precisamos ser mais cautelosos pois o perigo anda rondando por aí.
Pode até ser que você não tenha percebido, mas há nas duas orações alguns elementos que se encontram grifados. Nesse sentido, você concorda que eles são desnecessários ou não?
Veja bem, se nesse tipo de texto o autor já expressa suas ideias, posicionamentos, podemos dizer que esses elementos grifados são dispensáveis, pois ao afirmar acerca de algo, ele já retrata sua opinião. Portanto, não há necessidade de enfatizá-las, ok? Vamos retificar ambos os casos?
Logo teremos que:
"Precisamos ser mais cautelosos, pois o perigo anda rondando aí".
 
5. Nunca fale mais que a outra pessoa! Existe uma forma fácil de você saber se a sua abordagem está boa ou ruim: se só você fala ou faz as perguntas, é porque está ruim, se "a mina" fala e faz as perguntas é porque pelo menos algum interesse ou curiosidade pela sua pessoa ele(a) tem e você está no caminho certo. Como aplicar isso ao texto? O que isso quer dizer? Resumindo: nada de "encher linguiça"! Fale o necessário com objetividade e clareza! Diga "tudo" o que precisa ser dito no seu texto, com o mínimo de palavras possíveis. Evite a repetição!
 
6. E não se esqueçam: qualidade é melhor que quantidade. Um homem único só precisa de uma mulher e o contrário também é verdade!
 
Lucila Gomes

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Intimidade gramatical e não gramaticalista

"Os grandes escritores têm a sua língua; os medíocres a sua gramática".
Lins do Rego


Nossa!!!! Como um artista da palavra, escritor renomado, implica com a Gramática? Não é ele mestre da língua? Em outras palavras, eles adverte: "É possível ser ótimo em português e ao mesmo tempo péssimo em aulas de Português!" Você pensa: "EU SOU NORMAL!!!!"
 
Machado de Assis, um dos grandes clássicos da língua, não entendia nada de Gramática; Monteiro Lobato foi reprovado em português. Haverá linguagem mais clara e simples que a do mestre da prosa Graciliano Ramos? Bem-aventurados os inocentes em Gramática: nada têm se interpondo entre eles e a intimidade com seu meio de expressão, seu talento.
 
De onde será que vem esse medo, esse bloqueio, esse receio que tanto insiste em provar que não sabemos escrever? Por que a dificuldade em começar um texto? Estranho: falamos bem desde pequenininhos e à medida que vamos aprendendo as regras, as dificuldades começam a surgir. Talvez tenha acontecido/aconteça a você como aconteceu comigo: folhas do caderno de redação cheias de correções do professor (com tinta vermelha, é claro), que censuravam a minha linguagem porquanto deveria ser submetida a normas puristas, à observância da Gramática. Os prejuízos, além dos já citados são:  bloqueio da criatividade, a inibição da linguagem, sensação de incapacidade, insegurança e a espontaneidade que é parte importante da nossa personalidade se encolhe, murcha.
 
Tenho alunos como João, Gabriela, Vinícius, Hevelin, Ana Luiza, Gabriel, Davi, Arthur, Marlon, dentre outros, que estudam no Colégio Adventista de Caruaru que "sabem" sua língua muito mais e melhor do que eu os poderia ensinar, possuem intimidade com a língua, exploram as palavras, talentosos em linguagem, futuros escritores.
 
Quer escrever bem? Atente para as seguintes sugestões:
 
1. Leia!
 
2. Leia!!
 
3. Leia!!!
 
É lendo que se fortalece, apura e sutiliza a gramática introjetada. É lendo que se refina o ouvido. É lendo que internaliza-se também a gramática artística ou literária.
 
 
Lucila Gomes
 

sexta-feira, 3 de abril de 2015

O talento para a comunicação


Como professora de Língua portuguesa, tenho ouvido insistentemente, até de pessoas cultas, afirmações do tipo: “Português é a língua mais difícil do mundo”, “Não sei português” ou, “Nesse país todo mundo fala errado”. Pense um pouco: nascemos num país que tem como idioma oficial a língua portuguesa e muito antes de ir à escola já manejamos com naturalidade a língua como alguém que JÁ SABE.

Estranhamente as aulas de Português são detestadas por inúmeros alunos. Acaso não deveria ser ela a disciplina preferida, já que trata-se do instrumento de expressão, talvez, o mais pessoal do indivíduo? A comprovação disso se vê nos concursos, textos falados e escritos até mesmo no ambiente acadêmico. O que há de errado então?

Como disse Luís Fernando Veríssimo, *“escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo”. Por exemplo: dizer “escrever claro” não é certo mas é claro, certo? Você compreendeu o que eu quis dizer? É isso: o importante é comunicar! Atenção: para evitar vexames gritantes conheça as regras de ortografia, para não parecer alfabetizado incompleto! Quero dizer que a Gramática é a estrutura, o esqueleto da língua, porém sozinha, não diz nada. Comunique e, se possível, surpreenda, ilumine, divirta, comova...

Lembre-se: pode-se conhecer muita regra, saber a língua mais culta, formalizada, e não ser um artista da língua. Nessa medida, a apropriação da escrita representa uma das vias essenciais para a expressividade e o desenvolvimento humano. Abuse das palavras! Só use as que você conhece, as desconhecidas podem ser perigosas, traiçoeiras! Exija submissão delas.
 
* Por um princípio gramatical, adjetivo não poderia modificar verbo; isso é função  para advérbio. Psiu!!! Convenhamos que ele escreveu claro!
 
Lucila Gomes